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ENGENHARIA - Nº 555/2003
01/01/03 Segunda Pista da Imigrantes, uma saga em concreto e aço
 
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Outros números que impressionam ao se fazer um balanço final da execução da obra da nova pista são a escavação de 800.000 m3 em terra, 1,2 milhão de m3 em rocha e a utilização de 600.000 m2 de fôrmas

As estradas de concreto parecem ser as mais adequadas em diversas situações, principalmente em trechos com muito tráfego e veículos pesados, regiões de serra ou com veículos leves em grandes número. Um exemplo quase perfeito de reunião dessas condições num só local é a pista descendente da Rodovia dos Imigrantes, SP-160, inaugurada no final de 2002, que adotou a pavimentação rígida de concreto, de maior resistência ao desgaste em relação ao pavimento flexível asfáltico.
A construção da via descendente constitui o mais complexo projeto de engenharia rodoviária realizado na América do Sul. Para a conclusão da grande obra foi utilizado, no total, um volume de concreto correspondente a nove estádios do Morumbi (420.000 metros cúbicos), além de uma quantidade de aço proporcional a quatro torres Eiffel (25.000 toneladas).
Pelo aspecto tecnológico, pode-se afirmar que a Pista Sul da Imigrantes - como será oficialmente chamada - coloca-se no mesmo nível das rodovias mais importantes do mundo, onde é muito comum a utilização do pavimento de concreto e o emprego de aço. Outros números que impressionam ao se fazer um balanço final da execução do empreendimento são a escavação de 800.000 metros cúbicos em terra, 1,2 milhão de metros cúbicos em rocha e a utilização de 600.000 metros quadrados de fôrmas.
Para atender as peculiaridades das obras de infra-estrutura e pavimentação rígida, que consumiram 145.000 toneladas de cimento, foi necessário o desenvolvimento de novos produtos. A tarefa ficou a cargo da Votorantim Cimentos que, para adequar o cimento às necessidades da Ecovias - concessionária que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes -, teve que alinhar a produção em três unidades localizadas em dois estados.
Segundo Anor Pinto Filipi, gerente nacional de vendas da empresa, essa divisão entre as três unidades foi feita de acordo com o tipo de cimento necessário para cada trecho da obra. O cimento CO-IV-32 fornecido pela Cimento Rio Branco, em Rio Branco do Sul (PR), e o produto CP-II-E-40, fabricado na unidade de Votorantim (SP), foram utilizados nos 12,5 quilômetros de túneis e viadutos. Já os cimentos ARI RS, também fornecido pela Rio Branco, e o CP-III-40-RS, produzido na fábrica de Cubatão (SP), foram empregados em todos os 20,23 quilômetros de extensão de pavimento rígido de concreto. "A necessidade dos diferentes produtos deveu-se às especificações técnicas próprias para cada aplicação", diz ele.
Quanto ao aço empregado na nova pista da Imigrantes, foi fornecido quase integralmente (20.500 toneladas) pela Cia. Siderúrgica Belgo-Mineira. O material utilizado dividiu-se em: vergalhões (CA-50, CA-25 e CA-60), telas soldadas, barras de transferências e treliças, arame recozido, pregos, fibras de aço Dramix (Belgo Bekaert), tubos de aço carbono Sach 40 e cordoalhas para concreto protendido. Os materiais foram utilizados em todo o trecho de planalto da pista descendente. Segundo a assessoria de Imprensa da Belgo, a empresa forneceu o aço já cortado e dobrado, de acordo com o cronograma da obra, por meio de seus credenciados ao Sistema Belgo Pronto em Guarulhos e Diadema.
Construída com um investimento de R$ 830 milhões, a pista descendente - com seus 20,23 quilômetros - permite que o motorista possa agora descer a serra, passando por três túneis e 12 viadutos, em apenas 25 minutos, a uma velocidade máxima de 80 por hora. O novo trecho é o prolongamento da Rodovia dos Imigrantes, inaugurada em 1976. Seu marco inicial está no km 41 da rodovia, na região de Planalto. Dali até o início da descida da serra são 4,99 quilômetros. Para vencer os 730 metros de declive da Serra do Mar são 11,48 quilômetros, mais 2,11 quilômetros de viadutos na Baixada Santista, com 1,65 quilômetros de alças e acessos. Há também um complemento de três quilometros de duplicação, que inclui uma ponte sobre o rio Laranjeiras e termina num viaduto estaiado.


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