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A
Obra
Pista Descendente: referência para a Engenharia Nacional

O
mais importante e complexo projeto de engenharia rodoviária
realizado neste início de século foi inaugurado em
17 de dezembro de 2002. A Pista Descendente da Rodovia dos Imigrantes
impressiona não apenas pelas arrojadas e inéditas
soluções tecnológicas, mas também pelas
sofisticadas práticas de gestão ambiental.
O projeto original havia sido elaborado em 1986 e, mesmo agregando
as mais modernas tecnologias de engenharia rodoviária, havia
ficado defasado em relação à evolução
da legislação ambiental e à própria
conscientização pública quanto à necessidade
de preservar a natureza.
"O respeito à vida sob todas as suas formas", premissa
empresarial da
ECOVIAS - evidenciada em seu nome - levou a empresa a encomendar
um novo e arrojado projeto, preparado por um consórcio de
projetistas. A brasileira Figueiredo Ferraz, que havia elaborado
o traçado original, e as italianas In.Co (especializada em
viadutos) e a Geodata (especializada em túneis) optaram pela
execução de dois terços do trajeto na área
da Serra do Mar em túneis, e apenas o terço restante
em viadutos, aprofundando a nova pista no maciço da serra,
visando garantir mais segurança e reduzir o impacto ambiental.
Três túneis foram projetados, totalizando 8,23 quilômetros.
O Túnel Descendente (TD) 1, com 3.146 metros de comprimento,
é o maior túnel rodoviário do Brasil. Com isto,
foi possível reduzir, a apenas sete pontos, a interferência
com a floresta nativa - as três entradas e saídas dos
túneis e uma "janela" usada para agilizar a construção
do TD 1 e que servirá como saída operacional, em caso
de emergência.
Os seis viadutos no trecho de serra também foram redesenhados.
A preocupação maior foi usar tecnologia construtiva
de ponta para aumentar a distância entre seus pilares. Os
vãos chegam a ter até 90 metros de afastamento, contra
os 45 metros do projeto original.
Essas
medidas, aliadas a um complexo plano logístico para execução
da obra resultaram na redução, em 40 vezes, da área
afetada da Mata Atlântica, em comparação com
a construção da primeira pista, na década de
1970. Naquela ocasião, foram afetados 1.600 hectares da floresta,
reduzidos a 40 hectares agora.
A Pista Descendente - O novo trecho é o prolongamento da
Rodovia dos Imigrantes, inaugurada em 1976. Seu marco inicial está
no km 41 da rodovia, na região de Planalto. Dali até
o início da descida da serra são 4,99 quilômetros.
Para vencer os 730 metros de declive da Serra do Mar, são
11,48 quilômetros, mais 2,11 quilômetros de viadutos
na Baixada Santista, com 1,65 quilômetros de alças
e acessos. Um complemento de 3 quilômetros de duplicação,
que inclui uma ponte sobre o rio Laranjeiras e termina no Viaduto
Estaiado, foi assumido posteriormente pela ECOVIAS e concluído
em apenas nove meses. "Foi mais um dos desafios, dentre os
muitos que superamos nesta obra. Aceitamos a incumbência de
terminar este trecho, em tempo recorde", diz vitorioso Irineu
Meireles, diretor-presidente da concessionária.
Tecnologia - A nova Imigrantes no trecho de serra tem três
túneis: o TD 1, com 3.146 m; o TD 2, com 2.080 m; e o TD
3, com 3.005 m. O sistema escolhido para a construção
foi o NATM (New Austrian Tunneling Method), o mais confiável
para as condições geológicas da Serra do Mar.
Quatro equipamentos de perfuração computadorizados
- os jumbos - foram importados especialmente para a obra e ainda
são hoje os únicos existentes no Brasil. São
máquinas de escavação que se locomovem sobre
pneus e possuem quatro "braços": três perfuratrizes
e uma caçamba de serviço.
As perfurações efetuadas pelo jumbo, para um avanço
médio de 4,5 metros por ciclo, baseavam-se no "plano
de fogo", um mapeamento prévio feito pelos técnicos,
gravado em disquete e inserido no computador instalado na cabine
de comando do equipamento. O posicionamento do jumbo na frente de
escavação utilizava como referência feixes de
raios laser, projetados paralelamente ao eixo do túnel. A
cada ciclo de escavação eram retirados 480 m3 de rocha,
com o emprego de mil quilos de explosivos.
Cada
um dos túneis tem três faixas de rolamento, com uma
faixa de segurança para o trânsito dos veículos
de serviço e socorro. Têm 11 metros de altura, em média,
e são providos de baias de emergência, com 60 metros
de comprimento, para receber veículos em pane, sem que prejudiquem
o fluxo de tráfego. São oito baias, uma a cada quilômetro,
aproximadamente.
Logística ecológica - A Pista Descendente tem 5,19
quilômetros de viadutos, seis deles no trecho de serra e cinco
na baixada. O planejamento logístico teve por objetivo reduzir
ao mínimo a necessidade de abertura de trilhas e clareiras
na mata. Equipamentos e materiais eram transportados por guindastes
(gruas) até o local onde seriam construídas as fundações
dos pilares. Nada era afetado ao redor. Parecia que os pilares brotavam
em meio à vegetação.
Três tecnologias distintas foram escolhidas para execução
dos viadutos. A dos "balanços sucessivos", que
consiste em fechar os vãos a partir dos pilares, em etapas.
A cada trecho concretado, as formas são reposicionadas mais
à frente até que se unam no centro do vão,
completando o tabuleiro (piso) do viaduto. Como não há
emendas ou juntas de dilatação, a tecnologia aumenta
o conforto para o motorista. Essa tecnologia foi usada nos Viadutos
VD 1, 2 e 3, parte do VD 4 e no VD 7, o mais extenso deles, com
1.225 metros.
"Ao usarmos a técnica dos balanços sucessivos,
foi possível construir vãos bem mais amplos, chegando
a 90 metros de distância entre pilares, alguns desses pilares
com mais de 70 metros de altura. A estrutura ficou mais esbelta
e com uma arquitetura diferenciada", comenta o eng. Alberto
Maionchi, diretor de engenharia da ECOVIAS, ao explicar que no projeto
original os vãos tinham apenas 45 metros de afastamento.
Nos VDs 8 e 10, usou-se a tecnologia de "ponte empurrada",
pela primeira vez usada em descendente no Brasil - e no VD 10, em
curva. Os tabuleiros desses viadutos eram concretados em formas
especiais, em peças com 25 metros de comprimento e 600 toneladas
de peso, aproximadamente. As peças eram "deslizadas"
sobre os pilares com o auxílio de "macacos" hidráulicos
(equipamentos importados), uma após outra, até que
todo o viaduto se completasse.
A terceira tecnologia utilizada na execução dos viadutos
foi a de "vigas lançadas", a mais conhecida e usada
em obras desta natureza, onde as vigas pré-moldadas são
produzidas próximo ao local e posicionadas com o auxílio
de guindastes.
Os viadutos no trecho de serra têm três faixas de rolamento
e acostamento; os viadutos 8, 9 e 10 têm duas faixas de rolamento
e acostamento.
Piso especial - Em toda a nova rodovia, usou-se o pavimento rígido
de concreto, de maior resistência ao desgaste em relação
ao pavimento flexível asfáltico. Isto reduzirá
a necessidade de manutenção e, conseqüentemente,
de obras de conservação que prejudicam o tráfego.
"É um material de maior aderência, não
é combustível e, portanto, aumenta a segurança
operacional, e a sua cor mais clara auxilia o motorista no interior
dos túneis", explica Ronaldo Schitttini, engenheiro
coordenador da obra de ampliação do Sistema Anchieta-Imigrantes.
Para executar este projeto diferenciado, a ECOVIAS contou com a
competência do Consórcio Imigrantes, formado pelas
construtoras CR Almeida, do Brasil, e Impregilo, da Itália.
"É importante salientar que o Consórcio assumiu
conosco não apenas o desafio de concluir a obra em pouco
mais de quatro anos, antecipando em cinco meses o prazo contratual,
mas acima de tudo, por terem se comprometido, desde o início,
com os nossos propósitos ecológicos. Isto foi fundamental,
pois na verdade, foram os operários, técnicos e engenheiros
do Consórcio que nos garantiram observar rigorosamente as
medidas de preservação ambiental", disse Irineu
Meireles, lembrando que todos os envolvidos na obra, "além
de terem demonstrado toda sua capacidade técnica, assimilaram
muito bem, com consciência, os treinamentos visando o procedimento
ambiental".
A CR Almeida vem escrevendo sua história na execução
de projetos de porte para o Brasil, onde destacam-se, na área
rodoviária, a duplicação da BR-277, entre Curitiba
e o Porto de Paranaguá, a Rodovia dos Bandeirantes, a pavimentação
da Belém-Brasília, a construção da Rio-Santos
- BR-101 e da Cuiabá-Porto Velho-Rio Branco - BR-364; na
área ferroviária, as ferrovias de Carajás,
do Aço, Central do Paraná e o Metrô de Brasília;
e outras obras de geração de energia, saneamento e
de edificações, com o Ginásio Poliesportivo
do Ibirapuera, em São Paulo, e o estádio do Maracanã,
no Rio de Janeiro.
A Impregilo SpA atua nos cinco continentes desde 1959, como resultado
da fusão de quatro outras empresas que, já em 1900,
executavam obras de construção civil e infra-estrutura.
Sua experiência passa pela execução de projetos
e de construção de hidrelétricas, bem como,
de auto-estradas, ferrovias, metrôs, portos, obras de irrigação,
aeroportos, centrais termelétricas e nucleares, hospitais
e de proteção ambiental.
A construtora italiana consolidou posição de liderança
no mercado e, principalmente, na realização de projetos
na modalidade turn-key, no gerenciamento de complexos project financing
e os do tipo BOT (build, operate and transfer), que hoje caracterizam
o mercado das grandes obras em todo o mundo.

Viaduto Estaiado - Para marcar definitivamente o uso de tecnologias
arrojadas na obra da Pista Descendente da Imigrantes, a ECOVIAS
e a EBEC decidiram por criar algo que pudesse resumir o estado-da-arte
na engenharia.
Assim,
surgiu o projeto do Viaduto Estaiado, na região da Baixada
Santista, "que esperamos venha a se transformar no cartão
postal da Baixada", comenta Irineu Meireles. É uma das
oito únicas obras do gênero construídas no Brasil,
uma tecnologia há muito pouco tempo introduzida no País.
A EBEC - Engenharia Brasileira de Construções, do
grupo CR Almeida, ficou encarregada da execução do
viaduto, com 390,5 metros de comprimento total e 170 metros de sua
estrutura suspensos por cabos de aço. São 100 toneladas
de aço em seus 44 cabos. É, ainda, o mais largo existente
aqui, com 27,8 metros, com 5 faixas de rolamento, sendo 3 no sentido
Santos-São Vicente e 2 no sentido contrário.
Números da Pista Descendente
Ampliação da capacidade do Sistema Anchieta-Imigrantes
em 70%
De 8.500 veículos/hora para 14.000 veículos/hora
Extensão total: 23,23 km
Planalto 4,99 km
Serra 11,48 km
Baixada 5,11 km
Alças 1,65 km
Túneis: 8,23 km
TD 1 3.146 m
TD 2 2.080 m
TD 3 3.005 m
Viadutos: 5,19 km
VD 1 263,0 m
VD 2 191,0 m
VD 3 602,0 m
VD 4 211,0 m
VD 5 74,0 m
VD 7 1.255,0 m
VD 8 724,0 m
VD 9 390,0 m
VD 10 565,0 m
V.Estaiado 390,5 m
Pte. Rio Laranjeiras 532,0 m
Concreto: 420.000 m3 (nove estádios do Morumbi)
Aço: 25.000 ton (quatro torres Eiffel)
Fôrmas: 600.000 m2
Escavação: 800.000 m3 em terra
Escavação: 1200.000 m3 em rocha
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