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Segurança

Segurança de primeiro mundo

Com a inauguração da Pista Descendente da Rodovia dos Imigrantes, não será necessário viajar à Europa ou aos Estados Unidos para ver o que de mais moderno existe em equipamentos de operação e de monitoramento da segurança no interior de túneis.

Hamilton Amadeo, diretor de operações da ECOVIAS, e vários membros de sua equipe foram conhecer de perto como outras concessionárias operam seus túneis pelo mundo e trouxeram para o Brasil toda a experiência necessária para garantir a segurança dos que viajarão pelos mais de 8 quilômetros de túneis que ligam o Planalto Paulista à Baixada Santista.

Toda a coordenação do planejamento de segurança ficou a cargo do Eng. Luiz Shida, diretor adjunto de operações, que há mais de 20 anos convive com o Sistema Anchieta-Imigrantes (SAI), desde o período em que serviu à DERSA. Durante todo o trabalho, Shida contou com a participação ativa de especialistas da Polícia Militar Rodoviária que atuam no SAI e a supervisão técnica do Corpo de Bombeiros.

A partir do Centro de Controle Operacional (CCO), instalado no km 28,5 da rodovia e com o apoio de equipes especialmente treinadas, a passagem de todos os veículos será controlada para garantir conforto e segurança aos motoristas e seus passageiros. "De qualquer forma, vamos precisar, como sempre, da colaboração dos motoristas. Todos devem seguir as orientações passadas pelos painéis de mensagens variáveis, pelas placas de sinalização e pelo nosso pessoal de pista. E vamos ser bastante rigorosos na fiscalização disto", adverte Luiz Shida.

As medidas serão rígidas, mas Shida faz questão de lembrar que não se deve temer acidentes de grandes proporções como alguns verificados há pouco tempo na Europa. Lá, os túneis são muito mais extensos, chegando a ultrapassar os 14 quilômetros, e a maioria deles funciona em mão dupla, o que aumenta os riscos. Os túneis da Imigrantes são considerados pequenos perto do de outros países e sempre funcionarão em uma única mão de direção.

Vigilância permanente - Por 24 horas diárias, os túneis estarão sob vigilância. Interligados por rede digital de fibras óptica diretamente ao CCO, existem detectores de incêndio; medidores de níveis de fumaça e gases; sensores de tráfego que indicam o volume de veículos, velocidade média e distância entre veículos; medidores de pressão das redes de água dos hidrantes; botoeiras de emergência para que o usuário comunique-se com o CCO em caso de necessidade e receba instruções dos operadores de tráfego; e outros alarmes que indicam imediatamente a abertura de um dos armários de emergência onde estão hidrante e mangueira de incêndio.

Além disto, os operadores de tráfego no CCO poderão ver cada palmo dos túneis, através das 80 câmeras de TV instaladas. Percebida alguma anormalidade, as providências serão imediatamente tomadas, como acionamento de semáforos (26 conjuntos) que indicarão em que faixas de rolamento os veículos deverão trafegar, ou se o trânsito deve ser interrompido por completo.

A sinalização luminosa de controle de velocidade pode ser modificada a partir do CCO. A velocidade máxima permitida será de 80 km/hora, "mas se houver necessidade poderá ser reduzida gradativamente, em todo o percurso ou apenas em um trecho dele", explica Luiz Shida.

Também poderão ser passadas mensagens aos usuários pelo sistema de megafonia (auto-falantes) e uma sinalização especial, colocada à direita dos túneis, junto ao solo, indicará em que sentido as pessoas devem seguir em situações de emergência. Ninguém ficará sem saber como agir em situações críticas.

Para os casos de pane mecânica, os motoristas contarão com botoeiras de emergência. Logo após acionadas, o usuário será orientado por técnicos do CCO, através de mensagens via rádio. Para que não fiquem sobre a faixa de rolamento, os veículos com problemas devem ser levados para uma das baias de emergência, recuos com 60 metros de comprimento, encontrados a cada quilômetro de túnel, aproximadamente.

Equipes de atendimento foram treinadas para atuar exclusivamente no trecho dos túneis e viadutos da nova pista, e usarão veículos também especialmente projetados para isto, capazes de prestar serviços que os demais veículos da frota da ECOVIAS não podem fazer.

"Muito mais do que esperar que aconteçam, estamos preparados para prevenir problemas. O usuário vai perceber logo como toda a sinalização foi reforçada e como estamos usando recursos inovadores para nos comunicarmos com os motoristas. Tudo isto é fruto de investimentos pesados em segurança e resultado de muita pesquisa ao redor do mundo. Trouxemos para a Nova Imigrantes o que de mais moderno existe. E este não é um trabalho só nosso, pois contamos com a colaboração e a competência de nossos parceiros da Polícia Rodoviária e do Corpo de Bombeiros. Tenho certeza de que agora é o momento de desfrutar dessa rodovia de primeiro mundo, e usufruir dos prazeres que as nossas praias podem oferecer aos turistas, sem esquecer dos nossos usuários diários, aqueles que moram na Baixada e trabalham em São Paulo. Estes poderão ir e vir mais rápido e terão mais tempo para ficar com seus familiares",deseja Hamilton Amadeo, diretor de operações.

Restrições a caminhões
O trânsito de veículos de carga, mistos e de passageiros será restrito aos que, comprovadamente estiverem em perfeitas condições de manutenção, principalmente quanto aos seus sistemas de frenagem. A fiscalização será rigorosa e tem orientação da Anfavea.

Caminhões transportando produtos perigosos não poderão trafegar pela nova pista da Imigrantes, por óbvias questões de segurança. Nos primeiros meses de operação, o tráfego também será restrito aos demais caminhões e ônibus. "Esta é uma decisão que vai desagradar inicialmente a um grupo de usuários, mas necessária. Em compensação, a Via Anchieta estará mais fluida para o tráfego de caminhões", explica Irineu Meireles, presidente da ECOVIAS.

A justificativa para essa determinação está na segurança. Com um declive de 6%, a nova pista exigirá demais dos sistemas de freios dos veículos mais pesados. Assim, a ECOVIAS está mantendo entendimentos com a Anfavea - entidade que reúne os fabricantes de caminhões e ônibus - e outros órgãos de trânsito para estabelecer padrões de segurança confiáveis que permitam liberar a estrada para os veículos mais pesados.

A Anfavea não recomenda a descida de veículos de carga pela nova rodovia, em virtude da perda de freios como conseqüência da ocorrência de "fade". Em veículos do tipo caminhão-trator/reboque, com 45 t, estes só poderiam percorrer os 11 km iniciais do trecho em descendente sem que seus freios atingissem temperaturas críticas, se mantivessem velocidade constante de 30 km/h. Porém, se essa velocidade fosse de 60 km/h, a perda de eficiência da frenagem ocorreria já a partir de 4 km percorridos.

Certificado ECOVIAS - Será criado um posto de triagem na região do Planalto, onde os veículos de carga e de passageiros passarão por uma vistoria efetuada pela ECOVIAS e Polícia Rodoviária. Aqueles que apresentarem condições técnicas para descer em segurança pela pista nova serão liberados. Os demais serão encaminhados para a Via Anchieta - que terá um volume de tráfego mais reduzido.

"Nossos estudos e pesquisas mostraram que a nossa frota de caminhões tem idade média acima dos 12 anos de uso. Assim, não está equipada com os modernos dispositivos de frenagem já disponíveis e que lhes dariam condições de vencer a descida sem problemas. Na Europa, por exemplo, a idade da frota é de 3 a 4 anos. Se o respeito à vida sob todas as suas formas sempre foi a nossa orientação durante toda a construção desta moderna estrada, priorizando a integridade física dos nossos operários, dos nossos usuários e de todos os seres vivos animais e plantas, não poderíamos abrir mão disto agora, com a rodovia em operação", conclui Irineu Meireles.

A decisão de restringir o uso da rodovia por veículos pesados tem base na Resolução do CONTRAN 808, de 14/08/1995, que deu ao artigo segundo da Resolução 777/93, de 17/12/93, a seguinte redação:

"Para veículos de carga (caminhonetes, caminhões, reboques e semi-reboques), veículos mistos e de transporte de passageiros (microônibus e ônibus), a comprovação dos requisitos do sistema de freios a eles aplicáveis estabelecidos nas normas ABNT, citadas no artigo primeiro da Resolução do CONTRAN 777/93, será exigida a partir de 23 de dezembro de 1996", ou seja, a partir daquela data ficou estabelecido o desempenho mínimo de frenagem após trecho em descendente de 6 km, com declive de 6%, a uma velocidade de 30 km/h.

Assim que entrar em operação o pátio de triagem, somente os veículos que puderem comprovar estar com seus sistemas de freios em conformidade com as resoluções receberão o Certificado ECOVIAS, que lhes permitirá descer a Serra do Mar pela nova pista da Rodovia dos Imigrantes. O pátio de triagem também passará por testes acompanhados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos, antes de entrar em funcionamento.

Fonte: Anfavea